Sexta, 21 DE setembro DE 2018 01:00:08

Lei do aborto começa a ser votada na Argentina, após meses de debate

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Publicado em:

13 de
jun

Autor:

Globo.com

Após meses de debate nas ruas e na internet, os deputados argentinos votarão um projeto de lei que prevê a legalização do aborto até 14 semanas de gestação. A votação começa nesta quarta-feira (13), mas não tem hora para acabar. A sessão deve durar no mínimo 15 horas e será acompanhada pelo olhar atento dos movimentos de mulheres, que estão organizando uma manifestação gigantesca e uma vigília em frente a Câmara dos Deputados, em Buenos Aires.


O cenário é imprevisível. Os votos contra o projeto estão com uma pequena vantagem, mas ainda há deputados que ocupam posição de destaque porque estão indecisos ou não revelaram seu posicionamento. Até o momento, apenas um deputado afirmou que vai se abster da votação. O clima é de tensão absoluta, tanto que o deputado Facundo Garretón, que votará a favor do projeto, chegou a ser ameaçado de morte. Por outro lado, o deputado socialista Luis Contigiani se rebelou contra a uma bandeira histórica do movimento socialista e anunciou que votará contra a legalização do aborto. O impacto foi tão negativo para o congressista que ele precisou mudar o nome da sua coalizão local de Partido Socialista para "Frente Progressista Cívico e Social".



Sétima vez do projeto


Esta já é a sétima vez que o projeto é apresentado, mas é a primeira que o assunto vai a votação. A jornalista argentina Belen Spinetta acredita que este avanço se deve ao momento atual e avanço da consciência sobre a situação das mulheres. “A ascensão do movimento feminista é um marco da época, além dos avanços que outros países latino-americanos, como o Uruguai”, destaca.


Segundo pesquisas, a maior parte da população do país aprova o projeto que prevê o aborto legal, seguro e gratuito.


A expectativa de Belen é que o projeto seja aprovado, mas para garantir que isto aconteça, as organizações de mulheres estão empenhadas em fazer pressão nas redes sociais dos candidatos que ainda estão indecisos. Além disso, a jornalista garante que a estratégia também é ocupar as ruas e mostrar para os parlamentares que chegou a hora de romper “com as ideias patriarcais sobre a maternidade e o direito de decidir sobre nossos próprios corpos”.



Manifestações contra o aborto


A Igreja Católica e outras instituições religiosas estão polarizando a outra ponta do debate. Porém, a mobilização nas ruas da Argentina contra o projeto que legaliza o aborto é menos impactante. Marchas menores com o tema “Vamos salvar as duas vidas” foram organizadas, mas nem foram anunciadas nos maiores veículos do país.


Em um artigo no site norte-americano Infobae, no entanto, a subsecretaria de Desenvolvimento Sustentável de Mendoza, Victoria Morales Gorleri, defendeu a proibição do aborto. Gorleri argumenta que as mulheres recorrem à prática quando estão desesperadas e não entendem os riscos do aborto. A política sugere outros caminhos, como educação sexual e cuidados com a saúde repordutiva de homens e mulheres.


"Não nos condenem a abortar 'com segurança e liberdade', nos condenem a optar por tê-los e sermos capazes de dar comida, escola e saúde a essas crianças", finaliza. É comum entre os deputados que apoiam o aborto depoimentos como o da deputada María Isabel Guerín: “sou católica, mas minha consciência me diz que devo votar a favor da descriminalização do aborto”, disse ao jornal La Nación.



Jovens ocupam escolas


Já a mobilização em favor do aborto é forte especialmente entre as mulheres mais jovens. Na capital, Buenos Aires, 14 escolas estão ocupadas por estudantes. A estudante de sociologia da Universidade de Buenos Aires, Malena Calarco, 19 anos destaca que a participação das mulheres mais jovens foi fundamental para que a lei conseguisse ser votada.


"Eu acho que é importante que os 'Pibxs' (jovens) participem, dêem discussões e façam parte da transformação da sociedade, porque elas são o futuro e precisamos de quem sabe quantas discussões a mais para finalmente alcançar a equidade de gênero", disse.


A lei estipula que mulheres com idade entre 13 e 16 anos terão de obter a autorização de um adulto para realizar um aborto. O campus da universidade de Buenos Aires, uma das mais importantes do país, também foi tomado por manifestações pedindo a aprovação da lei. No entanto, os alunos de cada curso estão decidindo entre si como vão agir. Todos confirmam que irão participar da vigília no Congresso.



Portal: Globo Expresso.Com