Feridas e sequelas emocionais deixadas em partos cesariano

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Publicado em:

27 de
jul

Autor:

Globo.com

Em 2015, dos 3 milhões de partos feitos no Brasil, 55,5% foram cesáreas, segundo o Ministério da Saúde. Um número muito distante da taxa “ideal” de cesarianas definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que está entre 10% e 15%. No mesmo período, a taxa dos nascimentos ocorridos na Espanha também foi acima da recomendada: 26,66%, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Além disso, segundo Elena Gil, assessora de imprensa da associação El parto es nuestro (O parto é nosso), há uma grande variação entre hospitais, comunidades autônomas e maternidades públicas (geralmente menos de 30%) e privadas (mais de 50%). “De acordo com a estimativa mais alta da OMS, 11% das cesarianas foram feitas sem necessidade. Isso se traduz em 49.000 mulheres e bebês na Espanha submetidos a uma grande cirurgia sem justificativa médica”, diz Gil. A associação vem trabalhando há anos para aumentar a conscientização sobre o uso deste tipo de intervenção apenas quando é realmente necessário. Embora acreditem que a situação tenha melhorado, especialmente na saúde pública, “onde, de fato, parece haver um esforço para reduzir as taxas de cesariana”, os dados atuais apontam para um ligeiro crescimento devido, intuem, ao aumento de induções.


As sequelas emocionais de uma cesariana
Uma cesárea, como qualquer intervenção cirúrgica, envolve certos riscos para a mãe e para a criança, tanto no aspecto físico, como no emocional. De acordo com a psicóloga Patricia Roncallo, especializada em maternidade, as reações emocionais das mulheres à cesariana podem incluir uma ampla gama de sentimentos que variam e se transformam com o tempo: “Enquanto algumas mulheres podem expressar tranquilidade ou gratidão, outras podem ter uma experiência enormemente angustiante e sentir uma grande tristeza ou até apresentar sintomas de transtorno de estresse pós-traumático. Algumas mães podem sentir desconhecimento em relação ao bebê e outras podem não perceber a intervenção como algo significativo, até engravidarem outra vez e se aproximar o dia do parto”.


Como é uma cesariana criteriosa?
Para Elena Gil, em primeiro lugar, deve ser justificada por razões médicas e a mulher deve ser informada sobre essas razões, bem como sobre as alternativas, se houver, e dar seu consentimento. “Exceto por motivos de força maior, a mulher deve estar consciente, acompanhada da pessoa que escolher, e não deve ser separada do bebê em nenhum momento. O início da amamentação deve ser facilitado imediatamente. Essas premissas fazem com que a mulher viva a intervenção de forma menos traumática, favorecem a criação do vínculo com o bebê e tornam muito mais provável o estabelecimento de uma lactação bem-sucedida”.


Romper o silencio do pós-parto
Há um enorme silêncio em relação ao pós-parto que faz com que muitas mulheres vivam essa etapa vital com certa solidão, mal-estar e incompreensão. Patricia Roncallo diz que o sofrimento de uma mãe durante o pós-parto pode ser desatendido, minimizado e eclipsado pela chegada do bebê. “É frequente que familiares e amigos não perguntem à mulher nada além de sua recuperação física, espera-se que esteja feliz e plena e é cercada de frases feitas que podem ser muito dolorosas como ‘o importante é que seu bebê é saudável’. É preciso levar em consideração que enquanto o silêncio cresce, a solidão e a dor emocional também o fazem”, afirma.



Portal: radarurgente.com